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segunda-feira, 25 de julho de 2011

QUEM FOI INÁCIO JOSÉ PINHEIRO ?

                                     Parte II               
Vamos, pois, retroagir aos primeiros decênios do século XIX para sabermos um pouco mais da vida de Inácio José Pinheiro.
Dados biográficos – Português natural da freguesia de Nossa Senhora da Encarnação, patriarcado de Lisboa, Inácio José Pinheiro nasceu em 1755, filho de José Antônio Pinheiro e Feliciana Joaquina da Piedade.
            A sua vinda para o Brasil deu-se, provavelmente, em 1785. As primeiras referências sobre a sua presença, na Capitania do Maranhão, segundo Aymoré Alvim, datam de 1788 quando servia na Força Militar da Vila de Alcântara, no posto de Capitão do Regimento de Milícias. Nesse ano, fez um requerimento à Rainha de Portugal, D. Maria I, solicitando carta de confirmação de dacta de uma sesmaria na zona do Periaçu, declarando-se negociante lavrador, possuidor de bens e de muitos escravos. Outras solicitações foram feitas à Rainha, pedindo o tombamento e demarcação dessas terras, em 1796. A partir de 1799, solicitou o seu provimento, no posto de tenente-coronel de milícias da Vila de Santo Antônio de Alcântara, e a condecoração com o Hábito de Cristo ou a de São Bento de Avis.
Renovou, em 1800, o seu pedido a D. Maria, isto é, a sua promoção ao posto de tenente-coronel de milícias do regimento de Alcântara, pretensão essa barrada pelo Governador D. Diogo de Sousa.
Casou-se, em 1805, com dona Isabel de Barros Travassos, viúva de Pedro Franco, incorporando ao seu patrimônio muitas terras, grande escravatura e objetos valiosos, o que fez multiplicar os seus negócios e ampliar a sua influência política.
Concorreu, no ano de 1802, conforme relata Aymoré Alvim, ao cargo de Capitão-mor e Comandante dos Corpos de Ordenanças, vago com a morte de Francisco Xavier Nunes Fernandes que o ocupara após o restabelecimento do referido cargo, a partir de 1795, até então  substituído pelos  Mestres de Campo.
As funções consistiam em recrutar civis para a formação das tropas auxiliares que constituíam os Corpos de Milícias. Os Corpos de Ordenanças ou paisanos armados eram formados por homens de 18 a 60 anos, sob o comando de um Capitão-mor, e eram responsáveis por algumas funções como cobrar taxas dos moradores, para arcar com determinados serviços públicos (recuperação de pontes, construção de aterros, desobstrução de rios e canais), distribuir e fazer cumprir as ordens do Governador e o mais importante, a manutenção da ordem em todos os domínios da Vila e dos seus Termos, sob sua jurisdição.
Inácio José Pinheiro fez parte de uma lista tríplice, concorrendo com José Inácio Pinheiro e Ascenço José da Costa Berredo, todos cidadãos de grande projeção na Vila  de Alcântara.
Embora o cargo não fosse remunerado, aqueles que o ocupavam deveriam  possuir grandes recursos financeiros e reputação ilibada e, para compensar a falta de vencimentos, gozavam de certos privilégios, honrarias e isenções, além da vitaliciedade.
Proprietário de terras desde 1788, Inácio José Pinheiro atendia a todos esses requisitos, pois além de ser considerado homem de posses, desfrutava de grande conceito na sociedade local. Escolhido dentre os três, foi nomeado, interinamente, pelo Governador  D. Diogo de Sousa, sendo eleito mais tarde pelo Senado, cujo ato foi confirmado no ano seguinte (1803) pelo Príncipe Regente D. João. Nesse mesmo ano, Inácio Pinheiro foi nomeado Capitão dos Caçadores.

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