MOEMA

MOEMA
PAPIRUS DO EGITO

sábado, 28 de junho de 2014

OS CEREAIS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA





O  vocábulo Cereal originou-se do culto dos romanos a Ceres, deusa da Agricultura a quem ofertavam as cerealia  moneta (trigo e cevada) de cada colheita. Ceres era filha de Saturno e de Cibele As festas eram realizadas no mês de abril e duravam todo o mês. Na Grécia a deusa da Agricultura é denominada Deméter, para quem construíram o Templo de Elêusis.
Os grãos dos cereais eram os preferidos pelos  povos antigos, pela capacidade de armazenamento por longos períodos, o que diferia da batata e das frutas, facilmente deterioráveis.
Além do trigo e da cevada, outras gramíneas são usadas na alimentação humana e em rações de animais como: milho, arroz, aveia,  centeio e o trigo sarraceno, sendo que este pertence a outra família.

                                 O  PÃO NOSSO DE CADA DIA

O pão, nome derivado do latim panis, alimento milenar que convive entre o  profano e o religioso. É o símbolo do alimento essencial que sustenta a vida e do esforço necessário para consegui-lo. É obtido pelo cozimento de uma massa que se faz com a mistura de trigo ou outros cereais, água e sal. Geralmente é fermentado com levedura ou outro agente que provoca a formação de gases. Esse processo permite a obtenção de um pão poroso, leve, de fácil digestão.

                                                    HISTÓRICO
                                      
                                       NA  ANTIGUIDADE

O uso do pão, provavelmente originou-se no Oriente, em passado remotíssimo, coincidindo com a própria civilização. Foi introduzido no Egito, em época bastante recuada, sabendo-se que a massa era cozida sobre pedras chatas, aquecidas em altos graus, processo comum em outros lugares; mais tarde os egípcios construíram os fornos de barro ou de tijolos, por volta de 4.000 anos a.C., acrescentando fermento ou levedura na massa. Essa teoria é comprovada pelo conhecimento dos egípcios na fabricação da cerveja.
Com a expansão do comércio marítimo, os gregos e depois os romanos passaram a adotar o processo egípcio, em substituição ao primitivo. De Roma espalhou-se por outros domínios do Império.
Gregos, romanos e germanos usavam esse mesmo método até  que aprenderam a técnica egípcia de fermentação. O pão era a base da alimentação desses povos que o usavam como moeda e, também para pagamento dos camponeses: cada jornada de trabalho era paga com três pães e dois cântaros de  cerveja. Eram também colocados nas tumbas. O pão foi um dos traços de união do Império e os romanos assimilaram esse hábito quando chegaram à África. O pão na Grécia apareceu à mesma época do Egito; em Roma só apareceria 800 anos a.C., com grande importância.
O hábito de consumir pão, graças á expansão do Império Romano, espalhou-se por toda a Europa. No ano 500 a.c. já havia escola de padeiro, para atender o povo. Criou-se, então a política de “pão e circo”, para diminuir as tensões populares e ambições partidárias de mudança do status quo. Era costume a distribuição de pães aos povos pelos governantes, como estratégia para manter o domínio sobre o maior Império da Antiguidade.
Depois dos egípcios, os hebreus iniciaram a comercialização. Os israelitas aprenderam a produzir  pães, mas por serem nômades não o cozinhavam em fornos e sim sobre pedras. Passaram a usar fornos somente quando se fixaram na cidade. Em Jerusalém havia uma rua de padeiros. Como acreditassem que a fermentação era uma forma de putrefação, de impurezas, ofereciam a Jeová o pão ázimo consumido na Páscoa.
A moagem do cereal progrediu lentamente no decorrer dos milênios. Há 4.000 anos a.C. ainda se usavam moinhos de pedra artesanais, movidos por animais ou escravos. Nas ruinas de Pompeia de 2.000 anos foi encontrado um forno em perfeitas condições.
Os gregos tinham moinhos rudimentares com roda de pedra movidos pela água, cerca de 450 anos a.C. talvez tenham sido precursores dos moinhos movidos a ventos usados no a 1000 a.C., os quais continuaram sendo usados até seis séculos da nossa era.
Em algumas regiões, os pães eram feitos, provavelmente, com nozes e faia e não podiam ser consumidos imediatamente. O cereal era moído, lavando-se a massa em água fervente para tirar o gosto amargo. Depois de dessecadas ao sol eram preparadas as broas.
Na China, o consumo de pão data de 58 séculos, aproximadamente. Há autores que dizem ser o pão conhecido há 10.000 anos, sendo encontrados vestígios nas palafitas suíças. Os pães eram preparados com trigo, cevada ou  painço tostados sobre pedras e tinham o aspecto achatado. A farinha obtida era grossa e amassada com água, cozidos sobre pedras aquecidas, obtendo-se uma lâmina dura. Era o pão da época
Para o botânico Nicolai Valivov, o berço do pão teria sido a Etiópia, onde as espécies de trigo eram rústicas. Levadas para os férteis vales  do Nilo essas espécies foram domesticadas e descobertas como alimento nutritivo, leve e saboroso.

                                    IDADE MÉDIA

No ano 476 da nossa era com a queda do Império Romano, as padarias públicas foram fechadas e a produção de pão voltou a ser caseira. A partir do século XII, na França a panificação voltou a ser como era antes da fermentação. Até a Idade Média o pão era distribuído entre os soldados, para complementação do soldo. A fabricação era dificultada pelo controle rigoroso dos senhores feudais, no uso de fornos e moinhos. Pão fermentado, só para famílias abastadas, sinal de status. Os pobres comiam pão sem fermento.
 IDADE  MODERNA

No século XVI o crescimento econômico da França, permitiu adotar  métodos mais modernos de panificação, alcançando a supremacia mundial. Os moinhos movidos a vento foram empregados até 600 anos d.C. Em 1784, começaram a ser usados os moinhos a vapor.
            As amassadeiras manuais ou hidráulicas surgiram no século XIX; depois, as máquinas elétricas gerando insatisfação, pois cada máquina substituía dois padeiros. No fim do século XVIII a falta dele e a infeliz tirada atribuída à rainha Maria Antonieta, que supostamente havia sugerido que os franceses famintos, trocassem o pão por brioches teria sido o estopim para fazer eclodir a Revolução Francesa, a revolta mais sangrenta de todos os tempos.
Em 1881 surgiram os cilindros modernos. Da I Guerra Mundial a 1943 usaram-se moinhos com um sistema de cilindros, aperfeiçoando e melhorando o manuseio, limpeza e conservação dos grãos. Após a II Guerra passou a usar-se o sistema pneumático,
No Brasil, um decreto de 1937 tornava obrigatório o pão misto, com raspas de mandioca  até 30%. Como sempre até hoje não foi cumprido. O que se constata é o uso exagerado de bromato de potássio, aditivo químico usado  para aumentar o volume do pão e melhorar a sua textura. Se o pão não for corretamente cozido ou assado, o bromato deixará uma quantidade residual que pode ser nociva, se consumida. Banido de vários países por seus efeitos sobre o organismo, prejudicando a memória, a concentração e o entendimento. Carcinogênico, pode também, causar sérios danos hepáticos. Há alguns anos o Serviço de Vigilância Sanitária davam   flagrantes nas padarias daqui de São Luis e as panificadoras que exorbitavam na dose de bromato eram multadas.


                                  O  PÃO  E  A  RELIGIÃO

O pão é citado 390 vezes na Bíblia e aparece num dos eventos mais importantes da História da Religião Hebraica: a fuga do povo hebreu guiado por Moisés do cativeiro egípcio.  Na pressa não houve tempo para a fermentação, dando um formato achatado: é o pão ázimo comido na Passach, Páscoa Judaica que lembra a libertação daquele povo. No Judaismo, o pão não fermentado (matzá, matzó) é símbolo da festa da Páscoa. Chama-se pão de proposição cada um dos 12 pães que se depunham toda semana, de acordo com a Lei de Moisés.
No Cristianismo representa a Eucaristia, um dos Sete Sacramentos, remetendo há dois milênios, quando Jesus Cristo deu a cada um dos seus doze apóstolos, um pedaço de pão e uma caneca de vinho, na última ceia antes da crucificação. Jesus  descreve a sí mesmo como o pão descido do céu: “quem comer deste pão, viverá eternamente. Fazei isto em memória de Mim”.  Representa o alimento espiritual, assim como o Cristo Eucarístico, o pão da vida. É o pão sagrado da vida eterna da qual fala a liturgia, renovada em cada Missa celebrada, quando os sacerdotes fazem a consagração da hóstia, feita de trigo e do vinho e que se transformam no corpo e sangue de Jesus, pelo mistério da transubstanciação,
Também na Igreja Ortodoxa, pão e vinho estão no centro do simbolismo litúrgico.
No culto de Mitra, espigas de trigo e pão eram símbolos de transformação e vida nova.  Há um mito mesopotâmico onde o deus Anv possui o pão, a alma e a vida. O pão levado para o altar, pelos sacerdotes egípcios para ser abençoado, sendo considerado sagrado após essa cerimônia. Os mortos esperavam dos deuses o pão da vida.
O pão de Santo Antônio é distribuído aos pobres no dia 13 de junho, dia consagrado ao santo.
Quase todas as religiões, seitas, crenças e doutrinas como a espírita, adotam, como oração principal, o Pão Nosso.
                                          
VALOR ALIMENTÍCIO

O pão ocupa em nossa vida um lugar especial. Apropriado para todas as fases da vida, é o alimento mais democrático, disponível na mesa de todos os povos, de todas as classes sociais. Frequenta restaurantes sofisticados, presente nas ruas e nos mercados mais populares.
Além do coadjuvante da História da Humanidade o pão é fundamental na alimentação  por ser rico em carboidratos. A ONU, a FAO e a OMS recomendam que cada pessoa deva consumir entre 50 e 60 kg de pão, anualmente. O alimento complementa ainda, a dose diária de lipídios e proteínas, além de sódio, cálcio, fósforo e potássio.
Tipos de pão mais consumidos: branco, preto, ouro, brasileiro (trigo+mandioca), trigueiro, pão francês, pão dormido, de véspera, seco, torrado, de munição (com farelos para soldados), pão de guerra, pão de mel, de queijo, panetone, pão de forma, rosca, integral (trigo+semolina), pão meado (2 farinhas diferentes) pão lampo (trigo temporã, pão de minuto.
Usam-se, também, na preparação do pão, outros cereais como o centeio, a cevada, o milho; também a batata, podendo acrescentar-se manteiga, leite, passas, frutas cristalizadas, ovos, canela, gergelim e tudo o mais de acordo com a criatividade dos padeiros.
Alimento energético está na base da pirâmide alimentar, como importante fonte de energia.
Alguns nutrólogos, entretanto, asseguram que o pão feito com  de farinha branca  de trigo, é um alimento incompleto. É saboroso, de bom aspecto mas  sem as principais vitaminas e sais minerais; enquanto o pão feito de trigo integral é mais escuro, menos saboroso, porém com mais nutrientes: vit A, B, C,  E, K, ferro, cálcio, carboidratos, proteínas e fibras, devido à presença do endosperma, separado nos moinhos modernos da casca e do gérmen. No endosperma só há amido, enquanto os nutrientes são encontrados no cariopse.
Para corrigir essas deficiências do pão empobrecido, foi adotada a opção de pão enriquecido, adicionando vit. B1, B2, niacina, cálcio, ferro, restaurando apenas quatro das dezenas de fatores nutrientes necessários.
Diante disso, os especialistas em alimentação das regiões mais pobres sugerem as seguintes misturas: farinha de arroz integral, torta de soja, pasta de amendoim, castanha-do-pará, para suprir as deficiências proteicas ou misturar trigo com milho; com soja ou com amendoim.
As farinhas ricas em glúten, apesar de duras devem ser misturadas com a farinha de trigo pobre ou com a manitoba, para torná-las panificáveis.
Atualmente são fabricados vários tipos de pães, sendo o preferido o francês de massa grossa ou fina. Há o pão de forma, adequado para sanduiches, pães para hamburgers, de queijo, de trigo integral, ázimo (sem fermento), árabe e vários outros herdados das panificadoras francesas, como croissant, brioches, baguetes.
No Nordeste o pão é substituído por beijus feitos com a tapioca da mandioca ou cuscuz, preparado com fubá de milho.
Com pão dormido preparam-se rabanadas deliciosas, geralmente no período natalino. Cada país tem um tipo diferente de pão, feitos com os mais diversos tipos de cereais (centeio, cevada, milho).

 PÃO-DE-

Espécie de bolo, destinado, pela sobriedade aos convalescentes e às famílias enlutadas; também servido em velórios ou enviados para as famílias enlutadas com votos de conforto. Não era um bolo econômico, servido apenas às famílias abastadas.
Era, também, a última refeição franqueada aos condenados à morte, servido com um copo de vinho.
Diz-se sobre as pessoas que cuidamos bem que elas são tratadas a pão-de-ló. Pão também é uma expressão muito comum quando achamos uma pessoa atraente.

O  PÃO DE AÇÚCAR

Um dos símbolos do Brasil é o Pão de Açúcar, com acesso facilitado pelo caminho aéreo inaugurado em 1912, ligando a Praia Vermelha ao Morro da Urca e deste ao famoso pico, uma das maiores atrações do Brasil. Trata-se de uma elevação na entrada da baia da Guanabara com 390 metros de altura, contornada pelos bairros da Urca, Botafogo e Leme, da zona sul do Rio de Janeiro.
É uma montanha despida de vegetação, constituída por um bloco único de uma rocha proveniente de granito que sofreu alterações com a pressão, com idade superior a 600 milhões de anos.
Entre 1817-20, dois naturalistas europeus, atendendo á solicitação do rei da Bavária, para levantar a flora e a fauna do nosso país realizaram uma expedição científica, integrando  a comitiva da arquiduquesa D. Leopoldina, a primeira imperatriz do Brasil, casada com d. Pedro de Alcântara. Esses pesquisadores, Johann Baptist von Spix e Carl Friedericch Phillipp von Martius,  zoólogo e botânico, respectivamente, percorreram todas as regiões do Brasil, deixando preciosos relatos em seu livro Viagem pelo Brasil, publicado em dois tomos. Deve-se a eles uma das primeiras descrições do afamado morro, avistado quando subiram o Corcovado, descortinando por trás da luxuriante vegetação, no sul do horizonte uma “montanha cortada a prumo e o olhar  se perde no abismo profundo, orlado pela baia azul de  Botafogo, em redor; mais além o atrevido cone de rocha do Pão de Açúcar” .

                            EXPRESSÕES POPULARES

- cara de pão dormido, diz-se de uma pessoa cansada, esgotada com mau aspecto.
- comeu o pão que o diabo amassou – diz-se de indivíduos que passaram por maus bocados.
- come pão e arrota caviar – pessoas que sofrem privações mas ostentam grandeza!













domingo, 22 de junho de 2014

O TRIGO – ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE




                               HISTÓRICO

A História nos conta que o cultivo de grãos marca a transição entre as tribos nômades para as sociedades agrícolas, dando origem à civilização como a conhecemos hoje.
O trigo é a segunda cultura de grãos mais  conhecida em todos os cantos da Terra. Acredita-se que as variedades de trigo são plantadas pelo homem desde 12 mil anos a.C. Entretanto os primeiros indícios arqueológicos são de 8 mil anos a.C., no Oriente Médio. O trigo se originou de uma mutação genética da planta que torna as sementes grandes e pesadas demais pra serem carregadas pelo vento.
Inicialmente  cultivavam só o sorgo e a cevada; depois o centeio e finalmente o trigo. Ignora-se quando o homem começou a usar o trigo na alimentação. Do surgimento da necessidade de manejo do solo para a produção de alimentos, passando pela invenção da escrita pelos sumérios, com consequente divisão de trabalho, o trigo desempenhou um papel importante na história da humanidade. O cultivo começou na Mesopotâmia, numa região chamada pelos historiadores de Crescente Fértil, correspondendo aos atuais Iraque e Egito e dessa região  para o mundo.  A Mesopotâmia que significa em grego entre rios foi dominada por vários povos, como os sumérios, amoritas, assírios e caldeus, todos responsáveis por importantes avanços no conhecimento. Os sumérios representa, a base cultural dessa vasta região  que definiram ao conceito cidade-estado, noções de metalurgia, domesticaram bois, cabras e jumentos, viviam em casas de barro, criaram a roda e a escrita cuneiforme Os amoritas que representam o primeiro império babilônico, veio o famoso Código de Hamurabi, o mais completo conjunto de leis da Antiguidade. Os assírios  se preocuparam em agregar conhecimentos na Biblioteca de Nínive, porém o maior avanço científico se deu com os caldeus. Som o domínio de Nabucodonosor foram construídas importantes obras arquitetônicas. A Astronomia deslanchou e foi criado o calendário dividindo o ano em 12 meses.
Sabe-se que  no Egito, no período pre-dinásticos, já era consumido como alimento emmer, um trigo primitivo, bem como a cevada, atribuindo a esse povo a invenção do pão, por volta de 4 mil anos a.C., quando descobriram o processo da fermentação. Mais do que alimento, faziam pães e biscoitos com formas humanas e animais usados em rituais, como oferta aos seus deuses. Só mais tarde ganhou status de símbolo religioso: na Religião Católica, o pão e o vinho compõem a Eucaristia, enquanto no Judaismo, o pão ázimo, sem fermento, é presença obrigatória até os dias atuais. Na Babilônia, há cerca de 6 mil anos, o trigo era tão importante quanto a cevada e o painço. Os habitantes das aldeias palafitas suíça e os escandinavos da idade da Pedra conheciam esses três cereais. Há 5 mil anos, o trigo era a cultura mais importante. Na época dos antigos gregos e romanos os trigais eram comuns nas terras do Mediterrâneo, substituindo, paulatinamente a cevada, o mais antigo cereal que se tem notícia. As classes ricas davam preferência ao trigo, que se tornava cereal nobre, ficando a cevada para os pobres e escravos. Os chineses conheceram o trigo cerca de 2mil anos a.C. com o qual faziam farinha, pasteis e macarrão, levados à Itália por Marco Polo..
Na Grã-Bretanha, plantavam grandes trigais que contribuíam para o abastecimento de Roma. Na Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e em outros países,  o trigo foi substituindo os outros cereais na alimentação humana. Posteriormente, verificou-se o mesmo na Rússia, Japão, China e Índia, grandes consumidores de arroz.
            Há autores que afirmam que a cultura do trigo surgiu na Ásia, nas regiões onde estão  localizados o Irã, o Turquestão, a Transcaucásia e a Turquia. No Paleolítico esse cereal  era também cultivado nas terras ocidentais do Mediterrâneo, de onde se espalhou pela Europa. Por volta do terceiro milênio a.C., já era conhecido na China. Desde cedo o homem aprendeu a utilizá-lo como alimento.
A princípio, os grãos eram apenas colhidos; mais tarde aprenderam a torrá-los, o que permitiu a sua  trituração. O produto obtido era usado para preparar mingaus e uma espécie de massa folhada. Bolas de mingau grosso e consistente começaram a ser assadas na brasa, surgindo, assim, o pão ázimo que servia de alimento para babilônios, egípcios e hebreus; também para os povos da Europa, na Idade do Bronze. A massa era escura e pesada contendo muita umidade e para cozimento mais rápido adelgaçavam-na em forma de folha.
Mais tarde foi incluído o fermento que levantava essa massa. Dos cereais apenas o trigo tem essa peculiaridade, devido à quantidade de matéria albuminosa que lhe dão rijeza e elasticidade. Isso se deu na época em que a fabricação de cerveja se difundiu na Europa.
Em Roma, no tempo de Petrônio (séc.I) consumia-se pão acidulado, privilégio das classes abastadas. Na Europa Medieval  predominavam o centeio, a cevada  e a aveia que juntamente com o painço e o trigo sarraceno, originário do Oriente, compunham a base da alimentação popular.
A massa acidulada foi sendo substituída pela massa  fermentada , de que se fazia o pão leve. Mas isso só ocorreu em tempos recentes.
Em sua trajetória  na história da humanidade o trigo teve papel decisivo, não só como alimento mas para a invenção da escrita pelos sumérios, como forma de registrar e controlar a safra excedente, utilizado como moeda de troca.
                       
          E  O  TRIGO  CHEGA ÀS AMÉRICAS

Atravessando o Atlântico chegou ao nosso continente com os primeiros europeus, inicialmente no México desde 1519, embora na América do Norte, incluindo o Canadá dessem preferência ao centeio, reinando até o século XIII. A descoberta e povoamento das vastas e férteis planícies de além Apalaches tornou possível a triticultura em amplíssima escala. Em 1870, os trigais americanos começaram a ser atacados pela ferrugem o que causou grandes prejuízos enquanto o trigo trazido da Táurida, na Rússia, era mais resistente.

                                 E  NO  BRASIL?

Quem introduziu o trigo no Brasil  foi Martim Afonso de Souza, na capitania de São Vicente, em 1534, sendo cultivado pelos primeiros colonizadores, tendo se disseminado em várias áreas, principalmente na região meridional subtemperada. No começo do século XVII, casais de açorianos, fixados na antiga província de São Pedro do Sul, incrementaram seu cultivo. As exportações começaram em 1805, mas a partir de 1811, com a irrupção da ferrugem, os agricultores preferiram outros cultivos.  No século XIX a XX, até a década de 1940, não prosperou a cultura do trigo.
Atualmente as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são as maiores produtoras de trigo, com uma produção anual de 10 milhões de toneladas.

                CARACTERÍSTICAS  BOTÂNICAS.

O trigo é uma gramínea cultivada em todo o mundo. É a segunda cultura mais difundida, atrás do milho e maior do que a do arroz. A cultura do trigo chama-se Triticultura e é cultivado, principalmente das regiões temperadas. Nas regiões tropicais é substituido pelo milho e pelo arroz.
O vocábulo trigo se origina do latim triticum. Trata-se de um cereal  do grupo das gramímeas, da família das Poaceas. Pertence ao gênero Triticum que compreende  24 espécies, das quais as mais extensamente cultivadas são o T. aestivum e o T.durum. É o cereal mais importante da alimentação, sendo o alimento básico do homem; também de animais, servindo de planta forrageira.
O porte varia de 20cm a 2m de altura. É planta anual com ciclo de 90 a 180 dias, dependendo do ambiente,
A planta tem raízes fasciculadas, colmos eretos, com cinco a sete nós sólidos e internos ocos, na maioria das variedades. As folhas são lineares, simples com bainhas que em geral cobrem 2/3 do colmo, com aurículas e lígulas. A inflorescência é uma espiga com espiguetas sésseis. Cada espigueta consiste de duas brácteas estéreis ou glumas com duas a cinco flores. Cada flor tem duas glumas: a lema e a pálea, três estames e um pistilo e duas lodículas na base.
O fruto é uma cariopse, pequena, seca, indeiscente, com uma única semente, fino pericarpo, embrião e endosperma. Tem cor vermelha, branca ou intermediária. Quando o endosperma é vítreo, a cor é mais escura; quando farinhoso, mais clara. O endosperma corresponde a 75 a 89% do total do grão. A casca é chamada farelo.
Os trigais brasileiros se anteciparam aos norte-americanos, argentinos e uruguaios, pois o Brasil foi o primeiro país americano a exportar  trigo. As primeiras sementes de trigo  vieram para São Vicente, em 1534, desenvolvendo trigais ao lado do centeio e da cevada, no planalto, em terras de Piratininga.

   VALOR  NUTRITIVO  DO  TRIGO

O trigo é rico  em nutrientes como os carboidratos e fibras. Também apresenta elevados teores de vitaminas (A, B, C, E e K) que podem ajudar a melhorar o sistema imunológico, prevenindo doenças como a diabetes, o câncer do intestino, melhorando o seu funcionamento; combate o colesterol ruim, ajuda a emagrecer, combate a acne e ajuda a prevenir a depressão; a betanica ajuda a combater inflamações.
A Vit K, participa da coagulação; as proteínas gliadina e gentenina, glutenina e prolina ricas em aminiácidos, agem na manutenção  do funcionamento do organismo; Vit. C aumenta a imunidade; Vit. E combate as toxinas que atacam as células; a Vit A é antioxidante, fortalece o sistema imunológico e combate o envelhecimento; a Vit. B1 ou ácido fólico e outras como a tiamina, a riboflavina e a niacina são indispensáveis para gestantes, atua na formação do tubo neural e de outras terminações nervosas; a Vit E é mais encontrada no gérmen. Dos minerais o Cálcio concorre para a formação dos ossos; o Ferro previne a anemia e dificuldades cognitivas. Outros minerais com taxas mais baixas são: cloro, sódio, magnésio, enxofre e potássio. Os lipídios são representados pelos triglicerois. As fibras limpam o organismo e ajudam a combater a constipação e os carboidratos fornecem a energia essencial para o funcionamento do organismo. Há deficiência em aminoácidos lisina, treonina e triptofano. Tanto o trigo branco como o integral  constitui excelente fonte de selênio.
No Brasil, faz-se obrigatoriamente o enriquecimento da farinha com ácido fólico, na proporção de 150mcg/100g.

                 PRINCIPAIS  USOS

Na fabricação de pães de diversos tipos, bolos, biscoitos, macarrão, pizzas, sanduiches, salgadinhos. O gérmen do trigo possui muitos ingredientes e pode ser usado na preparação de cerveja, uísque.

TRIGO  INTEGRAL

Citado pela Bíblia e confirmado pela história da criatividade genial da civilização greco-romana.
Contém ácido glutâmico, o ácido da inteligência. É alimento energético, equilibrado pela relação sódio-potássio. Considerado eficaz contra o tifo, raquitismo, retardo mental e câncer, pelo seu notável poder inibidor da ação cancerígena do corante químico. Recomendado para a alimentação de gestantes, crianças e indivíduos raquíticos, pois é rico em vitamina D, a vitamina que metaboliza o cálcio, além dos minerais cálcio e magnésio. O ácido glutâmico é prescrito para crianças com deficiência mental, que não conseguem acompanhar a escola, mostrando desinteresse e mesmo apatia.
Trezentos gramas de pão feito com trigo integral, sem fermentos químicos, sem óleo, sem açúcar, equivalem a 117gr de carne, fornecendo 360 calorias.
Além do selênio, o trigo integral  apresenta elevados teores de manganês. Seu consumo é mais saudável ao organismo, possuindo 60% a mais de  nutrientes, do que a farinha comum. Também contém todas as porções dos grãos: casca ou farelo, rico em fibras; endosperma, com altos teores de carboidratos e o gérmen, rico em vitaminas e minerais. A sêmola são partículas do endosperma nas primeiras  passagens pelos rolos de trituração.

                           TRIGO  SARRACENO

Também chamado trigo mourisco, na realidade não é uma gramínea e sim uma planta da família das Polygonaceas (Fagopyrum esculentum). Seus grãos são comestíveis e parecem com cereais.
            Energizante e nutritiva é fonte de proteínas, contendo todos os aminoácidos inclusive a lisina que falta na farinha branca. Usado para fazer papas e mingaus e engrossar molhos e ensopados. Rico em minerais como manganês, magnésio; fibras dietéticas; rutina que é um flavonoide, também chamado vitamina P e quercetina que são antioxidantes. Possui mais proteínas do que o arroz, o trigo e o milho e não tem glúten.
Faz parte da culinária judaica, russa, polaca, japonesa e bretã (os famosos crepes).
Usado como coadjuvante no controle da diabetes, hipertensão e obesidade.

                                  GLÚTEN

O glúten é uma proteína formada basicamente pela mistura de cadeias proteicas longas de gliadina e glutenina, responsável pela viscosidade e elasticidade às massas.
O glúten pode ser encontrado no trigo, o malte, a cevada e o centeio e  podem causar uma série  de problemas à saúde das pessoas que apresentam intolerância ou são alérgicas. A síndrome causada pela sua intolerância é chamada Doença Celíaca que se exterioriza, por dores no estômago, inchaço, rinite alérgica e asma, além de outros sintomas ligados  às carências  nutricionais, como a deficiência de cálcio, pois danifica as células epiteliais de revestimento  do intestino delgado, interferindo no metabolismo dos alimentos e impedindo a absorção de nutrientes.
Segundo os nutricionistas, o glúten cola o intestino, grudando as paredes, provocando várias complicações. Com o tempo provoca saturação do aparelho digestivo, com retenção de líquidos estufando e aumentando a gordura  na região abdominal, levando à obesidade. O organismo responde de diversas maneiras: dores articulares, alergias cutâneas, intoxicação que provoca enxaqueca, depressão, produção de gases, devido à proliferação de bactérias intestinais, causando diarreias constantes, vômitos, síndrome de resistência à insulina, doenças autoimunes. Como o glúten é aliado do açúcar, sequestrador de cálcio, acelera o processo da osteoporose, aumenta a formação de cáries, e das  taxas de colesterol, com riscos de aterosclerose.
Há também, a intolerância genética ao glúten. Um em cada trezentos brasileiros tem esse problema, cujo diagnóstico é às vezes difícil.
Sem o glúten o organismo produz serotonina que causa  nosso bem-estar.
Segundo pesquisas do dr. William Davis (2013) o trigo é um veneno para milhões de pessoas no mundo inteiro. A farinha não contém a enzima transglutaminase que quebra o glúten. Ao ser ingerido as proteínas atacam as paredes do intestino delgado, dificultando a absorção de nutrientes.
Ele chega a propor a eliminação total de pratos à base de farinha de trigo.
          
                    Trigo X Joio

Joio, conhecido também por cizânia, é considerada erva daninha. Se confundida com o trigo e processados juntos compromete a qualidade do produto obtido. Pode até ser venenoso.
Separar o joio do trigo é uma passagem bíblica que usa essa metáfora,  para alertar que apesar de nascermos e crescermos juntos há de distinguir-se os homens, uns dos outros, isto é, os bons dos maus.